Que outra forma há para explicar o amor, se não, amar?
Os poetas tentam responder esta indagação.
Como um garoto ingênuo que brinca com as palavras, afogo-me na ousadia, para dizer que não há literatura convergente para o amor.
Há aqueles que não amam ou fingem não amar, há quem ama demais, há quem ama de menos, há quem ama e bate, há quem apanha por amar.
Sei de quem amou calado e quem gritou pra todos ouvirem, quem foi correspondido e quem foi desprezado sem uma chance.
Sei de amores impossíveis, assim como sei daqueles imprevisíveis, sei também de uns sem cor, sem um vintém no bolso, uns até sem bolso, eu já vi.
Descobri dias desses os vários sabores, tem deles suaves e altos, ríspidos e baixos, magros de menos ou gordos de mais, tem sempre um atrás de uma carta, assim como um piano chora por uma ponta de sapatilha.
Tão longe ou perto, a galope ou com tração, a remo ou na sola do pé, sem asas e voando, sempre há um pairando entre nós.
Como areia da praia ou milho aos pombos, como soja no Sul ou água do mar, tá assim de coração correndo atrás, mas não se iludam, o amor não se pode ter.